terça-feira, 21 de julho de 2015

Deidara

"...As vidas carregam o tempo e esse não pode retribuir e nem faz questão. O tempo é uma constante, um gigante em inércia guardando segredos do universo num silêncio absoluto; sabe bem como é que tudo começou e um dia ainda vai ver o fim, se é que o destino não gira ao contrário, e o começo estará por vir, aliás, convém acreditar, já que o suposto começo, nas mais acreditadas teorias, foi uma grande explosão. Admirando embevecido uma figueira num topo de uma colina verde, dignas das pinceladas de Monet, eu coloco os traços lúgubres cinzas de Goya por cima da história que acaba sem dar a chance de escolher como; esse é o destino: um cigarro nos lábios de um fumante sem fósforos. O meu otimismo segue mancando na falta do que me faça crer que a vida pode ser melhor que um coxo fumante sem fogo carregando um tempo ingrato nas costas.
Subo a colina com a certeza que tudo acaba melhor quando o fim foi uma decisão e não um acaso; e um pouco de psicanálise e a teoria do efeito de Bluma Zeigarnik embasam o meu pensamento: a vida segue com a sensação do inacabado, como uma música que só sabe um verso ecoando no cérebro; nesse caso, para esquecer a canção, basta cantar o final. Chego até a árvore que se mantém firme como um titã de madeira de áurea solene esperando por ser meu carrasco e, sem a destreza dos marinheiros, faço o primeiro nó, e sinto um nó no estomago e não sei bem o que sentir. Deidara era o seu nome. Dizem que o nome é só um nome, que a rosa seria uma rosa ainda que se chamasse diferente; nesse caso, Deidara é a canção de eco eterno na minha cabeça e no meu coração, que eu até sei cantar o final, mas me recuso.
Escolho um galho firme que se desprende da forma homogênea da ímpia árvore para prender a corda: a falta de destreza se confunde com a falta de vontade; me prendo a ponta solta da corda e sei que a bem poucos centímetros dos meus pés há o chão, que eu não posso tocá-lo daqui e não quero. E com os sentidos dormentes e a ansiedade dando cambotas no meu estomago fecho os olhos e suspiro seu nome: Deidara... A minha esperança foi a última a morrer, mas o meu amor ainda assombra por aí.
..."

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