sábado, 2 de novembro de 2013

Amo ser eu, e não saber o que é? Pra que é?
No entanto, amo a possibilidade de ser qualquer outra coisa, que não eu.
Algo que não foi pensado e que não foi sentindo, por causa de uma desatenção, ás vezes por não saber como sentir.
Como uma velha senhora, a beira do fogão a lenha, olhando pela janela, achando que chove lá fora, que esquece que chove por cima de sua cabeça
Amo ser eu, e pensar que vou morrer
amo esta morte e a condição de ficar eternizado no esquecimento
(porque os corações que me carregarem também morrerão
e serão esquecidos).
Amo quando me esqueço de algo, como se o tempo não tivesse passado por aquele instante. E a vida fica como um conto antigo, um déjà vu ou uma parede pixada que a gente vê numa viagem à capital pela janela do ônibus.
As vidas carregam o tempo e este não pode retribuir, nem faz questão.
E eu amo isto também.
Oh! Tomara mesmo que tenha alguém marcando os pontos.
Que exista um melhor.
Que o lado bom das coisas exista.
Que nossa missão não seja como a dos bovinos, equinos e felinos, pela razão de que ando do consolidado com essas ideias de que vou chegar lá!
Que exista um lá.
Que tudo isso que ando pensando seja mais que um estorvo, por que tem incomodado demais e não tem se mostrado útil; e não sinto necessidade do entendimento desses pensamentos; e não sinto afeição nenhuma por esses pensamentos; e sei rir de mim sem saber do por quê; e invejo ovelhas na seguridade da cerca enquanto leões lúgubres narram vangloriosos suas derrotas e percepções do mundo e do espírito; os leões estão na cerca com as ovelhas.
Que exista mesmo uma cerca lá!
Esses leões, tão ovelhas quanto as próprias ovelhas, pastam a semana inteira; essas ovelhas, rugindo ao redor dos muros de seu interior, pulando cercas nos sonhos.
Não sei de qual lado faço parte, e sem saber continuo fazendo. Feliz em cima duma linha que estrategicamente marquei. Acertando, acertando e acertando sem saber se acerto a meu favor.
E o alguém que marca os pontos nunca mostra o placar.