sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Eu sigo com todo cuidando de pisar nas pedras sem tocar as divisórias; cuidando para que o cigarro não amargue a garganta; para que as crianças pedindo trocados não arranhem meu coração e deus cuidando para que a chuva não desfaça as casas dos mendigos que são de papelão.
Sorrindo, com a felicidade que vai e volta, entre protesto e revoltas, promessas e demoras: as crianças levaram de mim algo mais do que a esmola, deus falhou na sua hora.
E os mendigos não sorriem, as crianças não tomam cuidado, e os mendigos invejando aqueles trocados, sabendo que não é só uma demora, que é o sonho não realizado, a mendiga sonhou ser bailarina, o mendigo sonhou ser soldado.
Eu me importo a semana inteira e faço festa no sábado.
Eu sonho não ser mendigo, eu sonho e viro a cara pro lado. Eu podia, eu poderia, eu não faço.
Essa luta, essa gente, esses sonhos aos quais eu me sinto indiferente; que eu penso ser culpado, não me fazem repensar minha jornada, não me deixam, porém, sentir mais nada.

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