Que faz tempo e o tempo esse muito bem feito por tanto tempo
que passa,
que incansável,
procuro o monstruoso enregelar
que me causava qualquer pergunta indiscreta
seguido do olhar atencioso ao mínimo tremer de sobrancelha para
que no fim eu parecesse o mais feliz dos tolos,
sentindo coisa nenhuma tão adorável, como a sensação da primeira vez
que um cachorro te lambe a boca e você está ciente disso,
afável nos lábios ainda sem jeito de não saber:
Ri de mim ou para mim?
Que só se quer chamar atenção,
Que de repente é necessário ser o palhaço para tal feito e
Que mais de repente ainda tornou-se o palhaço
enquanto ainda tentava ser o palhaço e
Que agora já se tornou um circo inteiro;
Que a atenção é sua, a sensação é de
que o cachorro ficou histérico e te lambe sem parar,
que você está tão pasmo e tão ermo focado naquele foco focado para você
que nem se quer percebeu que o circo pega fogo,
que então se fora seu último ato,
que não há cartas na manga,
que nem mangas você tem, mas
que a atenção, a tão sonhada atenção continua,
que agora o cachorro lambe as suas feridas.
Ri de mim ou para mim?
Ri de si e para si.
Que poderia ser seu se você é a atenção ou mera pena que recebe?
Que tire o nariz vermelho
Que chute o cachorro
Deus! O maldito cachorro
Precisando chore um pouco
E tome uns tragos
Que deixe o circo queimar
Que o amor renasce das cinzas
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